O Congo é uma das maiores expressões culturais do Espírito Santo, unindo fé e resistência negra. De origem banto, a tradição homenageia São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. O ápice da festa é a Fincada do Mastro, que simboliza o pagamento de promessas e a união da comunidade. Ao som de tambores, casacas e cânticos, os devotos carregam um mastro adornado, fincando-o em frente à igreja. O rito recorda o milagre do navio negreiro que naufragou, onde escravizados teriam se salvado agarrando-se ao mastro, transformando o sofrimento em um símbolo sagrado de liberdade e devoção capixaba.
Barra do Jucu – Vila Velha, ES













































Goiabeiras – Vitória, ES










































Praia do Morro – Guarapari, ES
















Ticumbi – Congo e Bamba – Vitória, ES
O Ticumbi é uma das manifestações mais singulares do folclore capixaba, celebrada principalmente em Conceição da Barra. Diferente do Congo, ele é um drama coreografado e cantado, que encena a disputa entre dois reis africanos — o Rei de Bamba e o Rei de Congo — pela honra de realizar a festa de São Benedito.
A tradição, que remonta ao século XVIII, é marcada por vestimentas brancas adornadas com fitas coloridas e chapéus ricamente decorados com flores de papel. Os participantes, chamados de “Congos”, utilizam instrumentos de percussão como pandeiros e o gunga (chocalho de latão preso aos tornozelos), que dita o ritmo da dança. O ápice ocorre com as “loas”, versos improvisados ou ancestrais que misturam devoção religiosa, sátira política e crônicas do cotidiano, mantendo viva a memória e a identidade da cultura negra no Espírito Santo.
Essa tradição não é apenas uma dança, mas uma encenação de um duelo entre dois reinos africanos antigos que disputam a primazia da fé. O enredo central baseia-se na disputa entre o Rei de Congo e o Rei de Bamba pelo direito e honra de realizar a festa em louvor a São Benedito. Ao final da encenação, a tensão do duelo dá lugar à celebração coletiva, unindo os grupos na procissão e na missa, mostrando que, além da disputa teatral, todos são parte de uma mesma “irmandade” espiritual.


















